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segunda-feira, 22 de junho de 2009

A DOR É INEVITÁVEL. O SOFRIMENTO OPCIONAL.." (Drummond)



"DEUS NÃO PODE ESTAR EM TODOS OS LUGARES, POR ISSO ELE FEZ AS MÃES!!"
(DITADO JUDAÍCO)


"Hoje a minha solidão, vai falar das mães. Mais especificamente da minha!!!!
Mas vocês devem estar se perguntando o q solidão tem a ver com mãe ???
Quem tem a sua ao lado, provavelmente não entende mesmo...Mas quem já teve a dor de perdê-la, sabe exatamente do que eu estou falando!
Há dois anos e meio, perdi a minha, vítima de um problema no pâncreas...Coisa rápida, em menos de uma semana, internou-se e faleceu. Juro que não acreditava que isso pudesse acontecer.Como muitos, eu também achava que a minha mãe não morreria NUNCA. Então, quando eu recebi a notícia, demorou um tempão até cair a ficha. Achava que a qualquer momento , ela iria abrir o portão e chegar dando risada ou me dando alguma bronca por que eu não tinha almoçado direito. Isso não aconteceu!! Mas quando a poeira começou a baixar e o meu sofrimento começou a diminuir, percebi que nos seus últimos anos, minha mãe , me preparou para enfrentar a vida sozinha. Explico:
Cinco anos antes da sua morte, minha mãe separou-se do meu pai e mudou para uma cidade no interior de SP, há cerca de 7 ou 8 horas de viagem de ônibus. Aquilo pra mim, foi a morte!! Fora a separação, que me deixou a beira da depressão, e as coisas práticas (eu com 24,25 anos, não sabia fritar um ovo ou lavar roupa)que eu tive que aprender, ainda tinha a saudade do colinho. Me sentia a mais solitária e a mais abandonada das criaturas. Era horrível, chegar em casa e não sentir o cheirinho de comida no fogão, não ter alguém para eu deitar no colo, comentar o meu dia ou fazer um comentário sobre a novela. Meu pai estava lá, mas os homens não entendem nada de novela!! (Ou melhor, não entendiam, porque o meu pai hoje é craque..segue todos os capítulos..kkk)...
E as minhas coisas mais profundas, só a minha mãe sabia. Só ela poderia entender, dar o conselho correto. Mas ela estava a quilômetros de casa, só com um celular, para o qual eu sempre ligava quando sentia saudades ou quando tinha alguma dúvida culinária (Não à toa, minhas contas telefônicas nessa época, eram exorbitantes!!!). Mas e o colinho ??? Por mais tecnologia que exista, nenhuma máquina ou fios de fibra ótica, nunca vão conseguir transmitir o calor de um abraço.
Convivi com essa falta por muito tempo, dando topadas, falando sozinha em frente a TV pra xingar o vilão da novela, queimando e cortando os dedos na cozinha...Me sentindo sozinha e abandonada...Cheguei a dizer, na época, o absurdo de que eu era orfã de mãe viva!!
Mas hoje, sei que foi esse período da minha vida, que me transformou no que eu sou hoje. Minha mãe despertou a mulher que eu não sabia que existia em mim. Forte, corajosa, independente, capaz de resolver seus problemas sozinhas e de enfrentar o fogão e a máquina de lavar com certa categoria.
Hoje não tenho o abraço quentinho, a voz mansa me dando conselhos, o cafuné quando eu tô triste..Não tenho nada disso fisicamente...Mas minha mãe plantou a sua sementinha no meu coração, durante todos os anos que ela esteve comigo. Ela sabia que essa semente um dia germinaria e o seu legado não morreria nunca! Do meu coração ela está sempre a me mandar conselhos,carinhos e até puxões de orelha quando eu preciso. A minha leoa não fica mais saltando a minha frente, rugindo, pra me defender dos perigos. Ela me ensinou como rugir, para quando ela não estivesse por perto!!! Deixou-me a beira da solidão, para que eu nunca mais me sentisse sozinha!!
Obrigada mãe, por eu ser quem eu sou!! Eu te amo..Sempre!!! (Flores pra você!!!)

HOMENAGEM A MINHA MÃE!!!



MÃES SÓ MORREM QUANDO QUEREM

"Eu tinha 7 anos quando matei minha mãe pela primeira vez.
Eu não a queria junto a mim quando chegasse à escola em meu 1º dia de aula.
Eu me achava forte o suficiente para enfrentar os desafios que a nova vida iria me trazer.
Poucas semanas depois descobri aliviado que ela ainda estava lá, pronta para me defender não somente daqueles garotos brutamontes que me ameaçavam, como das dificuldades intransponíveis da tabuada.
Quando fiz 14 anos eu a matei novamente.
Não a queria me impondo regras ou limites, nem que me impedisse de viver a plenitude dos vôos juvenis.
Mas logo no primeiro porre eu felizmente a descobri rediviva - foi quando ela não só me curou da ressaca, como impediu que eu levasse uma vergonhosa surra de meu pai.
Aos 18 anos achei que mataria minha mãe definitivamente, sem chances para ressurreição.
Entrara na faculdade,iria morar em república, faria política estudantil, atividades em que a presença materna não cabia em nenhuma hipótese.
Ledo engano: quando me descobri confuso sobre qual rumo seguir voltei à casa materna, único espaço possível de guarida e compreensão.
Aos 23 anos me dei conta de que a morte materna era possível, apenas requeria lentidão...
Foi quando me casei, finquei bandeira de independência e segui viagem.
Mas bastou nascer a primeira filha para descobrir que o bicho mãe se transformara num espécime ainda mais vigoroso chamado avó.
Para quem ainda não viveu a experiência, avó é mãe em dose dupla...
Apesar de tudo continuei acreditando na tese da morte lenta e demorada, e aos poucos fui me sentindo mais distante e autônomo, mesmo que a intervalos regulares ela reaparecesse em minha vida desempenhando papéis importantes e únicos, papéis que somente ela poderia protagonizar...
Mas o final dessa história, ao contrário do que eu sempre imaginei, foi ela quem definiu: quando menos esperava, ela decidiu morrer.
Assim, sem mais, nem menos, sem pedir licença ou permissão, sem data marcada ou ocasião para despedida.
Ela simplesmente se foi, deixando a lição que mães são para sempre.
Ao contrário do que sempre imaginei, são elas que decidem o quanto esta eternidade pode durar em vida, e o quanto fica relegado para o etéreo terreno da saudade..."

AUTOR DESCONHECIDO